quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

CONVERSAS PERDIDAS

Nem sempre se consegue esquecer,
Conversas perdidas que não vimos nascer.
Renascem de cinzas de outras vidas queimadas,
Quebram vontades outrora sequestradas.
Enaltecem murmúrios que nos entram no ouvido,
Sussurram no tempo o silêncio perdido.

São milhares as que se fazem ouvir,
Outras tantas que no tempo deixaram de existir.
Reduziram-se à insignificância de uma vida contada,
Em história turva pelo silêncio quebrada.
Redimiram-se, sem saber, num papel principal,
Outrora esquecidas por um mundo desigual.

quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

FACES

Faces estas que se confrontam num espaço invulgar,
Rostos incompletos, distantes, lançados à sorte e ao azar.
Perversos, inconstantes, distorcidos, errantes,
Que por entre fios de cabelo negros desencontram olhares cessantes.
Criou-se um espaço onde não nos encontramos,
Onde não faz sentido coexistir com distorções perdidas.
Criou-se na procura a face da mentira e num espaço invulgar,
Todos aqueles minutos de inúmeras vidas.

quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

FORA DE CENA

Inquestionável sede de conquista que se impõe em horizonte ausente,
Que distorce a voz e disturba um passado presente.
Que nos entope de insensatez em exacerbados toques de malvadez,
Por imagens nem sempre nítidas às mãos de quem as fez.
Ausentes de cores e de tons densos que se perdem em curioso olhar,
Entre cenários perdidos daqueles que nunca os quiseram encontrar.

terça-feira, 25 de Agosto de 2009

GRITOS

Todos resistimos à história por entre gritos de vitória,
Exaustos gestos ambíguos, cegos, vazios, crentes,
Que por entre traços ausentes em destinos pardacentos,
Nos preenche por dentro a realidade ilusória,
Sempre resistente à história de tais gritos ocos.

segunda-feira, 17 de Agosto de 2009

MARÉ BAIXA

Por entre a fina areia que as marés nos trazem,
Perpetuam histórias que nos amarguram,
Distorcem o caminho das ondas que jazem,
Em terno leito onde lágrimas recuam.

terça-feira, 11 de Agosto de 2009

SÍTIO SEM LUGAR

Sem saber esquecer não se preocupou em procurar,
Tudo aquilo que se fez ver num sítio sem lugar.
Por entre desalinhados caminhos escuros,
Em vívidas viagens sem destinos,
Procura-se o que nunca soubemos que existe,
Em quente abraço vespertino.

quarta-feira, 17 de Junho de 2009

SEM TOM

Monocórdico uivar que por entre a noite ecoa,
Monocromático olhar que cego não vê à toa,
Sincronismos sórdidos que por entre o negro perdoa,
As palavras ocas que sem sentido se soltam.

sábado, 6 de Junho de 2009

PORQUE NÃO?

É exaustivo o processo que por entre os dedos se arrasta,
É remissiva a vitória que por fora de nós se desgasta,
São agressivas as palavras com que esgrimas e contrastas,
Na memória que não reza a história só por si nefasta.

segunda-feira, 25 de Maio de 2009

SEI DE...

Sei de palavras que se perderam no quente de teus lábios,
Sei de sonhos que se esvaneceram no pôr-do-sol de nosso dia,
Sei de lembranças que adormeceram no terno colo que te acolhe,
Sei de rios que desaguaram em mares de outras alegrias.
Sei de olhares que se cruzaram em céus distantes,
Sei de reflexos que se perderam em espelhos desencontrados,
Sei de histórias que se perderam em momentos errantes,
Por entre vidas quebradas em mil bocados.

quarta-feira, 20 de Maio de 2009

CONCORDÂNCIAS

É gratificante poder absorver a sabedoria que o momento nos dá quando bebe de nós a vida... em dias acordada, em noites adormecida.